<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743</id><updated>2011-07-30T10:03:58.790-07:00</updated><title type='text'>SerendipityMan</title><subtitle type='html'>Sobretudo, gosto do sobretudo do Mourinho.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-116402778762955912</id><published>2006-11-20T04:48:00.000-08:00</published><updated>2009-06-10T19:10:34.272-07:00</updated><title type='text'>A falta que faz a falta</title><content type='html'>João é um aluno meu que tem aulas comigo numa sala que não a minha. Brinca no recreio entre os amigos com o automatismo dos pássaros que atravessam continentes alinhados à procura do calor, mas sem nunca tomar a dianteira. Entra na sala de aula incógnito, pousa a pasta e senta-se na carteira entre considerações sobre os desenhos que as nuvens descrevem no céu e as colunas de gaivotas que persegue com os olhos na janela . Na verdade, tudo para o João é mais interessante do que o que se passa na sala de aula ou do que o professor diz.&lt;br /&gt;Lembro-me de no dia das matrículas os pais dizerem: “Olhe que o João é bom aluno, mas tem andado distraído…” Posteriormente, perguntei-lhes o porquê de tamanha abstracção, ao que a mãe respondeu: “Sabe, o João tem um mundo muito próprio.” Sim, um mundo muito próprio – pensei eu - confirmando que em matéria de imprecisão a criança tinha bem a quem sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia perdi a paciência com o João. Treinávamos o raciocínio periférico fazendo contas em Inglês, e ele levava vinte minutos para resolver duas contas de somar. Gasto pelo cansaço, elevei a voz a níveis que normalmente evito. O João encolheu-se. Os amigos riram-se. Envergonhado, voltou o rosto. Pousou a caneta na mesa e fixou os losângulos do chão. Senti-o bloquear. Então, decidi falar sobre coisas que não a escola:&lt;br /&gt;“João, o que faz o teu pai?&lt;br /&gt;-É porteiro de uma empresa, professor...&lt;br /&gt;-E a tua mãe?&lt;br /&gt;-Trabalha numa seguradora.&lt;br /&gt;-Dão-se bem, o teu pai e a tua mãe?&lt;br /&gt;-Mais ou menos. Os meus pais estão a separar-se...&lt;br /&gt;-Ah sim? – disse eu -E tu, como te sentes em relação a isso?&lt;br /&gt;-Não sei bem como dizer, professor…mas acho que estou triste.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro...os pais do João estavam a separar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não haviam risos na sala. As poucas palavras do João tinham sido suficientes para transmitir aos colegas a escuridão com que encara os dias. Afastei-me silencioso, a pensar na força absurda que os problemas dos pais exercem ilegitimamente sobre os filhos. Como seria bom se houvesse uma fórmula que abstraísse as crianças dos resultados das opções dos pais e as tornasse imunes ao sofrimento... Mas não há. E o João é um exemplo disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-“Professor – perguntou o João - quando duas pessoas se separam significa que já não gostam uma da outra?&lt;br /&gt;-Não necessariamente – disse-lhe eu. Isso pode acontecer por várias razões.&lt;br /&gt;-Quais? – perguntou ele, curioso.&lt;br /&gt;-Algumas pessoas dão-se mal e decidem-se afastar-se. Outras, encontram uma pessoa de quem gostam mais e iniciam uma nova relação. Depende.&lt;br /&gt;-Então… quer dizer que se essa pessoa encontrar outra pessoa de quem goste mais ainda, separa-se novamente?&lt;br /&gt;-Por vezes acontece, João...mas não necessariamente."&lt;br /&gt;Começava a sentir-me impotente na tarefa de elucidar uma criança sobre as encruzilhadas da vida que os próprios adultos desconhecem. O aluno estava confuso...&lt;br /&gt;-“Sabe professor... só não sei é porque não me deixam ficar com o meu pai. Dava-me melhor com ele do que com a minha mãe...&lt;br /&gt;-Isso não é escolha dos teus pais, João – respondi eu.&lt;br /&gt;-Então, professor?&lt;br /&gt;-É a Justiça.&lt;br /&gt;-Justiça? Que é isso?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei explicar o melhor que pude, valendo-me de técnicas pedagógicas e outras teorias que jamais farão frente à simplicidade de qualquer pergunta infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-“Justiça, João...é uma sala com muitos papéis empilhados e alguns senhores de ar sério lá dentro. Nesses papéis estão escritas leis, e esses senhores usam as leis para orientar a nossa vida. O problema, é que raramente essas leis estão de acordo com a nossa vontade. Como neste caso - são eles que decidem com quem vais ficar. Se fosse possível tu ou os teus pais escolher, com certeza te deixariam ficar com o teu pai.&lt;br /&gt;Mas não te preocupes – disse eu – ele irá ver-te muitas vezes, vais continuar a estar com o teu pai como tens feito até agora!&lt;br /&gt;-Eu sei, professor. Ontem os meus pais tiveram uma conversa comigo e explicaram-me isso tudo. Fico um fim-de-semana com um, outro fim-de-semana com outro…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos do João voltaram a fixar o caderno imóvel onde algumas contas esperavam impacientes para ser resolvidas. Constrangido pelas palavras do aluno, não insisti para que as resolvesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias passaram, e eu fui vendo o João regularmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o João teve aula comigo às 14:30. Entrou na sala mais calado do que nunca. Sentou-se na cadeira pausadamente, os olhos sem energia para se demorar no mundo externo. Esperei alguns minutos para que retirasse os livros da pasta. Não retirou. Aproximei-me dele e curvei-me sobre a mesa. Ele fixava ansiosamente o chão enquanto entrelaçava os dedos em complicados nós de marinheiro. Tinha os olhos vidrados, como quem se esforça para conter as lágrimas de uma dor interna que se vê mas não se pode ouvir. Mas levantou a cabeça decidido:&lt;br /&gt;-“Professor, os meus pais foram agora separar-se.&lt;br /&gt;-Como sabes disso, João?&lt;br /&gt;-Eles disseram que iam lá abaixo a Matosinhos, à sala de papéis empilhados e senhores sérios que o professor falou outro dia.&lt;br /&gt;-Ok, João. Eles não demoram.&lt;br /&gt;-Tu, como te sentes? Estás bem?&lt;br /&gt;-Não sei bem como dizer, professor…mas acho que estou triste...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, voltando o rosto, deixou cair uma lágrima sobre a mesa em que devia estar um caderno onde, para além da matéria e dos sumários o João escreve juras de amor eterno com corações atravessados por setas onde de um lado figura o nome dele e do outro o de raparigas que não sabe muito bem se vale a pena amar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-116402778762955912?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/116402778762955912/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=116402778762955912&amp;isPopup=true' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/116402778762955912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/116402778762955912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/11/falta-que-faz-falta.html' title='A falta que faz a falta'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-116027144045497146</id><published>2006-10-07T18:25:00.000-07:00</published><updated>2006-10-08T12:05:42.240-07:00</updated><title type='text'>Quartos vazios</title><content type='html'>Alguém viu o sol?&lt;br /&gt;Alguém viu a lua?&lt;br /&gt;Alguém viu pegadas no tecto,&lt;br /&gt;Prova irrefutável das almas leves que andam por aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém viu penas,&lt;br /&gt;Alguém viu coroas,&lt;br /&gt;Ou um chão inteiro de adornos perdidos&lt;br /&gt;E outros restos dos anjos que nos visitam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um,&lt;br /&gt;Que me traz preso a si&lt;br /&gt;Com um fio amarrado ao pé,&lt;br /&gt;Para que não me dissipe&lt;br /&gt;Na atmosfera de êxtases com que frequentemente me envolve...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ri de tristeza, ele chora de alegria&lt;br /&gt;Fixa as pedras negras do chão&lt;br /&gt;E vê-se reflectido no branco do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trouxe-lhe luz,&lt;br /&gt;E ele trouxe-me luz a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamou-me “estrela”&lt;br /&gt;E respondi com o firmamento.&lt;br /&gt;Pedi-lhe um traço e deu-me uma tela,&lt;br /&gt;Um quadro impressionista que impressiona de tão bonito que é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar do escuro da noite polar,&lt;br /&gt;Leu-me o destino nas&lt;br /&gt;linhas da minha mão suja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o quis,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no quarto vazio da minha vida,&lt;br /&gt;Para descobrir que há portas que depois de abertas&lt;br /&gt;Revelam um mundo repleto de luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim...&lt;br /&gt;Acabaram-se os quartos vazios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Empty rooms are surrounding me&lt;br /&gt;With colours of light&lt;br /&gt;It’s too soon, too soon to see&lt;br /&gt;If what we had tonight&lt;br /&gt;Won’t disappear, leaving me here&lt;br /&gt;In doubt&lt;br /&gt;Won’t disappear, leaving me no way out&lt;br /&gt;All I know, is if you go&lt;br /&gt;You take a part of me.&lt;br /&gt;All I know, is love controls.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Won’t you set me free?&lt;br /&gt;Won’t you set me free?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empty rooms are closing in on me&lt;br /&gt;I can’t find my way out,&lt;br /&gt;It’s too hard, too hard to breath&lt;br /&gt;And still I want to shout&lt;br /&gt;Don’t leave me here, don’t disappear tonight&lt;br /&gt;Don’t leave me here, don’t take my colours of light&lt;br /&gt;Cause all I know, is if you go&lt;br /&gt;You’ll take a part of me.&lt;br /&gt;All I know, is love controls,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Won’t you set me free?&lt;br /&gt;Won’t you set me free?”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-116027144045497146?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/116027144045497146/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=116027144045497146&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/116027144045497146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/116027144045497146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/10/quartos-vazios.html' title='Quartos vazios'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-115708106140236333</id><published>2006-08-31T20:18:00.000-07:00</published><updated>2009-04-30T20:07:17.879-07:00</updated><title type='text'>Diz se me amas.</title><content type='html'>Diz se me amas, Pureza. Já não digo palavrões, deixei de fumar por tua causa, só falta dizer se me amas. Nunca pensei que viesses alterar tanto a minha vida, que fosses fazer-me levantar antes das 10 para ir olhar os pombos da praça como se fossem eles os guardiões dos teus íntimos segredos, sem coragem para os interrogar sobre o que na realidade sentes por mim.&lt;br /&gt;Os meus amigos perguntam-me pela barba de sempre, apalpam-me os bolsos para ver se trago moedas falsas e beatas partidas, disseram que Domingo o Vigorosa joga em casa com o Santarém e que vai haver jantar a seguir, e eu que nem como, e eu que nem durmo, eu que só penso em enfrentar-te num dia de chuva para que não se notem as lágrimas caso ouça a verdade que eu julgo ser a verdade e perguntar se me amas, se me queres, se não te importas do meu cabelo ruivo e das mãos enormes que morrem por te abraçar.&lt;br /&gt;Não gosto de andar assim sózinho à beira mar, de comer o arroz grão a grão enquanto afasto as ervilhas para a beira do prato e as alinho num P, murchas e desconfiadas, sem saber se conseguem representar com o máximo de fidelidade a beleza que vejo no teu nome.&lt;br /&gt;Diz se me amas, Pureza! Sei que ainda não arranjei trabalho, que não sou o homem que queres para a vida, mas a verdade é que não consigo sequer encontrar o caminho para casa! Não te peço em casamento, nem que vivamos juntos...o que quero é que digas se me amas, que digas se me queres, para matar esta agonia que me aliena a mente e me deixa tardes inteiras a pensar calado.&lt;br /&gt;Uma noite para mim não chega: saíste cedo demais quando o relógio bateu as horas da nossa escassa meia-noite e carregaste as trevas do céu ao dizer que o meu hálito não cheirava a mim. E eu que só tenho olhos para ti, e eu que imaginei as nossas almas entrelaçadas até de manhã, eu que abracei a tua cintura e te beijei no umbigo quando te puseste em frente a mim e me disseste, comigo sentado no sofá, “até sempre”, e me fizeste correr até à porta atrás de ti, os teus passos decididos a agredir o soalho, e depois à janela para ouvir o teu carro interromper o murmurar dos grilos a arrancar desenfreado em guinchos de areia em mosaico...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz se me amas, Pureza. Diz se me amas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida não faz sentido sem ti, o sol envergonha-se mesmo estando nós em Agosto, a rádio só passa romance... e eu que detesto romance. É verdade que o amor é uma coisa lamechas, mas a gente precisa dele! E eu amo-te de verdade. Agora que comecei a tomar banho dia sim dia não, agora que troquei A Bola pelas Selecções e sei o que é o Delta do Nilo, agora que aprendi a escrever poemas de amor a que desdenhosamente chamas rascunhos, podias devolver-me a serenidade que tinha antes de saber quem tu eras, Pureza, eu que já estou arrependido de ter saído aquela tarde para comprar envelopes na loja onde trabalhas, eu que já estou arrependido de te ter convidado para tomar café nessa noite, eu que sei que há momentos na vida que se a gente pudesse apagar da memória e submeter aos ponteiros de um relógio avariado que pusesse o comboio dos dias a andar para trás até à estação anterior, era isso que tinha feito, Pureza, eu que tenho saudades de ser eu, eu que tenho saudades de dormir de braços abertos sem a cabeça no meio deles, eu que tenho saudades de ser feliz, sim feliz, que isto de um amor enganado não serve para nada a não ser para trazer chatices e nos deixar suspensos na corda da indecisão que mais tarde ou mais cedo rebenta e nos estatela no chão como um vaso partido acabado de cair da janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podes dizer se me amas, Pureza? Ao menos isso, diz se me amas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-115708106140236333?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/115708106140236333/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=115708106140236333&amp;isPopup=true' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115708106140236333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115708106140236333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/08/diz-se-me-amas.html' title='Diz se me amas.'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-115652056037051372</id><published>2006-08-25T11:39:00.000-07:00</published><updated>2006-08-25T14:02:34.966-07:00</updated><title type='text'>Sexo com *didascália</title><content type='html'>- Depressa! Tira a luva de cima do candeeiro, está a derreter!&lt;br /&gt;- Puxa, acontece sempre alguma coisa nestas alturas... Dá-me cá uma ajuda! ( *Virgínia estica-se para alcançar a lâmpada do candeeiro da sala e retirar uma luva quase em chamas )&lt;br /&gt;- Não precisas de ser tão expressiva nos teus movimentos! Podes dançar sem atirar a roupa para longe!( *Edgar fala sem tirar os olhos da lingerie da mulher.)&lt;br /&gt;- Tenho vontade de me soltar, sabes! Sinto-me tão absorvida pelo trabalho que quando me liberto exagero! Acho que estou a precisar de me divertir. Quando foi a ultima vez que pus a musica a tocar para ti desta maneira?&lt;br /&gt;- Também não me lembro! Sei que te pedi algumas vezes nas ultimas semanas (*Edgar vibra com as palavras de Virgínia enquanto lhe percorre o corpo com pupilas dilatadas ) mas quando entras na porta de casa quase vais directa para o quarto!&lt;br /&gt;- Pois, acho que tens razão. Não interessa! Hoje sou toda tua! Vamos aproveitar o momento!&lt;br /&gt;- Gostas das coisas que comprei? ( *Virgínia passa com as mãos pelas ligas e outras peças que comprou na sexshop. )&lt;br /&gt;- Claro que gosto! Acho que nunca te vi tão sexy! Compraste-as de propósito para mim?&lt;br /&gt;- Claro! Não podia deixar passar esta data em branco.&lt;br /&gt;- És um anjo! Continua a tua dança! Mostra-me o que vales!&lt;br /&gt;(*Virgínia recomeça a sua coreografia. Edgar reclina-se no sofá... )&lt;br /&gt;- Este aroma a gengibre, compraste na mesma loja? ( *Edgar interrompe Virgínia para esconder a tensão...)&lt;br /&gt;- Gengibre? A empregada disse-me que era Biloba, um afrodisíaco chinês!&lt;br /&gt;- A mim só me cheira a gengibre...&lt;br /&gt;- ( * Virgínia senta-se no colo de Edgar e põe-lhe as mãos à volta do pescoço. )&lt;br /&gt;- Ai, esqueci-me do fogão ligado! Desculpa amor! Estou a fazer o almoço para amanhã e nunca mais me lembrei... ( *Virgínia salta do sofá e corre para a cozinha em sapatos de plataforma. )&lt;br /&gt;- Ah, daí o cheiro a gengibre...(*Virgínia está de volta ) Isso de comeres na firma faz-te perder tanto tempo a cozinhar. Sinto que as nossas noites ficam tão curtas...&lt;br /&gt;- Pois, amor, é para poupar no orçamento. Sabes que a vida está complicada...&lt;br /&gt;- Ok, deixa lá isso. Chega-te aqui! Hoje não me escapas! ( *Virgínia e Edgar entrelaçam os braços novamente. )&lt;br /&gt;- Espera, Edgar....deixa-me só pôr uns dossiers da mala senão esqueço-me de os levar para a firma.&lt;br /&gt;- Virgínia, não podes fazer isso depois?&lt;br /&gt;- Desculpa paixão...sabes como é o meu senso de responsabilidade. É só mesmo um instantinho!&lt;br /&gt;- Ok. Põe-te então outra vez no meio da sala. Quero ver-te dançar para mim! Mostra-me agora o que vales! ( *Edgar aperta as almofadas enquanto assume posição de espectador. )&lt;br /&gt;- Ok ! Chego já até ti! Vou fazer a estrada do amor. Quando te tocar vais estar a ferver! (*Virgínia começa a desabotoar o corpete enquanto caminha até Edgar lentamente. Som de porta a ranger.)&lt;br /&gt;- Pedro, que estás aí a fazer? Raios, Edgar, não tinhas ido deitar o miúdo? ( * criança olha para a mãe de olhos esbugalhados. )&lt;br /&gt;- Pedro, eu não te mandei ir para a cama? ( *criança foge pelo corredor ) Eu já o tinha deitado, amor, mas ele põe-se a jogar Playstation! Esta criança é tão desobediente..&lt;br /&gt;- Será que ele me viu nestes propósitos?&lt;br /&gt;- Não me parece. Ele quase nem abriu a porta.&lt;br /&gt;- Ok, estamos sós novamente. Vá, dança para mim! Mostra-me o teu glamour, a tua sensualidade! Quero que soltes a fera que há em ti! (*Edgar arregala os olhos. O miúdo, no quarto, ainda os tem arregalados )&lt;br /&gt;- Sim, meu leão! Vou-te mostrar o que significa a palavra selvagem! Gruuaauuurrr! ( *Virgínia volta-se e dirige-se novamente à cozinha de corpete aberto e liga enrolada no joelho.)&lt;br /&gt;- Então?&lt;br /&gt;- Espera. Deixa-me só ir meter a cebola picada no tacho. Deve estar quase... (*Edgar coça a cabeça... Virgínia regressa... Edgar ainda coça a cabeça.)&lt;br /&gt;- Essa pintura no ombro é tatuagem?&lt;br /&gt;- Tatuagem? Que tatuagem? (*Virgínia tira da pele meia figura de Tartaruga Ninja ) Ah, tive na casa de banho a raspar os autocolantes que o Pedro colou no azulejo. Devo ter ficado com isto agarrado.&lt;br /&gt;- Anda cá que eu tiro. Engraçado... até ficava sexy!&lt;br /&gt;- Eu vou-te mostrar o que é ser sexy! A comida já está pronta, agora a noite é só nossa! Anda cá meu Dartacão! Vou-te desembainhar a espada! ( * Edgar olha para a espada transformada em punhal... )&lt;br /&gt;- Olha lá, tu pões cebola com gengibre no refogado? A minha mãe tinha-te dito que era melhor com alho... (*Edgar divaga enquanto o instrumento afia )&lt;br /&gt;- Sim, ponho alho. Cebola tinha posto no estrugido. Mas que interessa isso? Agora vais ser só meu!&lt;br /&gt;- Sim! Quero-te possuir! Dá-me cá essas mãos de fada, quero beijá-las! Sabes como eu gosto das tuas mãos! (*Edgar beija as mãos da mulher do cotovelo até às unhas ) Hmmm....que cheirinho a pele, que cheirinho a mulher, que cheirinho a cebola...Sabes que esta mistura de aromas está a dar-me a volta à cabeça?&lt;br /&gt;- Ainda bem! Para isso é que estou aqui! Quero que este aniversário de casamento se torne inesquecível!&lt;br /&gt;- Olha, que é esta coisa branca na tua unha?&lt;br /&gt;- Ups! É alho. Ficou agarrado. Viste? Podes dizer à tua mãe que lhe sigo os conselhos. É a prova que o usei!&lt;br /&gt;- Ok...vamos esquecer essas coisas! Vamos esquecer tudo! Esta noite, quem te vai provar sou eu! (*)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-115652056037051372?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/115652056037051372/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=115652056037051372&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115652056037051372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115652056037051372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/08/sexo-com-didasclia.html' title='Sexo com *didascália'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-115428624696149966</id><published>2006-07-30T11:57:00.000-07:00</published><updated>2006-08-04T12:07:33.683-07:00</updated><title type='text'>O vulcão</title><content type='html'>Bete e Alberto são um casal que nem sempre se dá muito bem. Ela, fala demais. Ele, fala demais. Ela gosta de música, livros e postais de amor. Ele, gosta do silêncio, filmes e motas. Ele, só pensa nela. Ela, não sabe muito bem no que pensa. Quando se casaram, ele jurou fidelidade com um sorriso nos lábios. Ela, fez figas atrás das costas para que esse fosse apenas o primeiro.&lt;br /&gt;Ela limpa os espelhos com Ajax Cristal. Ele palita os dentes com a unha. O nome preferido dele é Salvador. Ela, não gosta de crianças. A última vez que lhe perguntou “Vamos ter um filho?”, ela respondeu: “Vai à vontade.”&lt;br /&gt;Ela ignora os animais. Ele, comprou um rottweiler chamado Pyton. À noite, deita-se com um pé fora da cama. Ela, dorme em posição de múmia. Quando vai à casa de banho, ele deixa pingas na tampa da sanita. Ela limpa, e dobra a ponta do papel higiénico em bico. Uma vez perguntou-lhe “Será possível urinares sem mijar o chão?” Ele passou a urinar no lavatório. Demorou meses até que começasse a urinar sentado. Fê-lo porque ela o ameaçou com um garfo, e mesmo assim perguntou: “Sabes como isso vai afectar a minha masculinidade...?” Ela respondeu: “Até ver, a tua masculinidade chega-me.”&lt;br /&gt;Quando conduz, ele dá as curvas em quinta. Estaciona a bater no passeio. Não protesta com ninguém. Ela, enerva-se com os peões e leva a mão à buzina. Quando vão em viagem, ele sai do carro e alivia-se contra as árvores. Ela, só consegue fazer na casa de banho. Aguenta-se firme até ao Algarve. Põe o braço de fora, e admira os homens que conduzem com duas mãos e puxam terceira a fundo. A masculinidade dele não lhe chega...&lt;br /&gt;Ela, é formada em Literatura Moderna. Lê Genet e Villon. Ele, tem um curso técnico-profissional. Pega no Público frequentemente, mas para bater no cão. Ela lidera um projecto num instituto. Ele, é porteiro nesse instituto. Conheceu-a entre subidas e descidas de uma barra vermelha. Gosta de fazer barulho a comer a sopa. Ela, come esparguete de garfo e colher.&lt;br /&gt;Ela fala com termos caros. Ele tem um vocabulário lúgubre. A palavra favorita dela é subrepticiamente. Ele, não sabe o que isso significa. Um dia, ela perguntou-lhe porque estava a esconder a cinza do cigarro com a almofada “subrepticiamente”. Ele respondeu-lhe “Ok, eu levo o cão lá fora...mas não chames essas coisas ao bicho.”&lt;br /&gt;Ela, faz amor de maneira estática. Ele, faz a chamada no tapete e atira-se de braços abertos para a cama. Ela berra alto. Ele manda-a calar.&lt;br /&gt;Ele gosta de morar num prédio. Calça os chinelos e tenta não fazer barulho. O sonho dela é uma vivenda. Vira a cara e não cumprimenta os vizinhos no elevador.&lt;br /&gt;Quando vão ao shopping, ela aproveita os saldos. Adora teilleurs cintados com remates de macramé madrepérola. Ele, compra roupa por catálogo. Veste calças larguíssimas e camisas verdes às flores.&lt;br /&gt;Ela, gosta de tomar banho de imersão e de experimentar perfumes. Ele, limpa as duas orelhas com uma cotonete só, e pede que lhe dêem packs de Vetiver nos anos. Ele gosta de lhe massajar os pés. Ela, também gosta que ele a massaje. Mas só aí. Gosta de miminhos, mas não de fazer amor. Ele adora. Fazer amor. Quando se deitam, jogam ao jogo das palavras. Ela diz uma letra, e ele adivinha o sítio onde a vai beijar. “...B...” e ele beija a barriga. “...P...”, e ele beija o pescoço. Outro dia, fizeram amor com a RTP1 ligada. Naquelas aulas de Português rápido, o locutor pergunta a letra com que se escreve “fuligem”. Ela, excitada, mas com um olho na televisão, grita alto: “...G!!...G!!” O homem lança-se à procura do famigerado ponto. Ela fá-lo parar imediatamente. Nesse momento, toca o telemóvel. Ficam-se por ali. Quem ligou não interessa. Já foi dito que a masculinidade dele não lhe chega...&lt;br /&gt;Ele diz palavrões para chegar ao orgasmo. Ela, chama-lhe vulcão quando as coisas aquecem. Baixinho. Mas nunca chega à erupção.&lt;br /&gt;Ela dá um valor extremo à família. Na altura das festas, gasta dinheiro em prendas e postais natalícios. Ele, mudou-se para a cidade aos quinze anos e não sabe dos pais. No Natal, poupa dinheiro e dá os packs de Vetiver que lhe sobram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, ela disse-lhe ter sentido um arrepio quando ele lhe tocou no ponto. Ele, não quis saber. Jurou nunca mais fazer amor com a televisão ligada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bete e Alberto não nasceram para se dar bem. Vivem, mas não convivem. Já pensaram em aventurar-se noutras relações e colmatar vazios com outros seres imperfeitos. No entanto, mantêm o casamento de oito anos intacto. Como um fala demais, e o outro também, olham-se nos olhos e sentam-se na cama a conversar cada vez que os espíritos azedam. Eles sabem que a comunicação é a base de qualquer relação, e nesse ponto ( "desliga a televisão, senão não te toco aí..."), estão os dois perfeitamente de acordo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-115428624696149966?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/115428624696149966/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=115428624696149966&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115428624696149966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115428624696149966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/07/o-vulco.html' title='O vulcão'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-115293057597535236</id><published>2006-07-14T19:27:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T20:11:24.769-07:00</updated><title type='text'>Sexta manhã.</title><content type='html'>( Poema ao acordar indeciso entre a prosa ou verso. )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E novamente acordo para um novo dia...&lt;br /&gt;Absorto aos pedaços de sonhos da noite,&lt;br /&gt;Cacos de imaginação inerte,&lt;br /&gt;Organizo ideias e faço um esquema de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspiro fundo a manhã, estico a alma.&lt;br /&gt;Sento-me na cama, não me ponho logo de pé: faço como o sol, que sobe devagar, mestre do procrastinar na habilidade de tomar o sabor do céu...&lt;br /&gt;Observo as fatias de sol que se atrevem pelo estor. Viro-lhes a cara, não quero nada com elas.&lt;br /&gt;Olho para os lençóis desfeitos da noite. Foram muitas as voltas que o sono deu, como uma criança a rebolar na areia depois do seu primeiro banho no mar.&lt;br /&gt;Levanto-me. Abro a persiana. Com a calma sagrada que os rituais sacerdóticos exigem. Devagar... um terço, dois terços, e toda. Com ela, abro um olho, dois olhos, a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou à janela...&lt;br /&gt;Faço frente ao tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei. Absorvo a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia tá bonito, pede-me vida.&lt;br /&gt;( Não sei se dou. )&lt;br /&gt;O sol que seja o pai do dia e a mãe de sempre,&lt;br /&gt;E lhe encha o sangue do alento bizarro&lt;br /&gt;Dos predadores errantes ciosos dos filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou pai de ninguém.&lt;br /&gt;Não tenho nada para dar, a não ser o sopro dourado dos raios da manhã, brilho oculto de nuvens perdidas e os anjos alheios que dormem nelas .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, acordei.&lt;br /&gt;O dia é longo, e não quero ir sózinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dás-me a mão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( O melhor é ir para a praia... )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-115293057597535236?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/115293057597535236/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=115293057597535236&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115293057597535236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115293057597535236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/07/sexta-manh.html' title='Sexta manhã.'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-115196437954617620</id><published>2006-07-03T15:00:00.000-07:00</published><updated>2006-07-03T17:55:33.023-07:00</updated><title type='text'>Não perguntes.</title><content type='html'>Não tenho vocabulário para responder às tuas questões.&lt;br /&gt;Não tenho fita métrica que possa medir o teu mundo.&lt;br /&gt;Não me enchas os ouvidos com adjectivos de graus comparativos,&lt;br /&gt;Nem artigos definidos com sílabas por definir.&lt;br /&gt;Hoje, sou poeta de linhas curtas, trova de um só refrão.&lt;br /&gt;Não saltes entre o solo dessas tuas duas vidas,&lt;br /&gt;O meu planeta é só um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me tentes com doces e outras surpresas diabéticas,&lt;br /&gt;Tenho o sangue carregado de sal, hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no mar das tuas interrogações,&lt;br /&gt;No universo das tuas mil palavras,&lt;br /&gt;E por mais claro que seja o rasto dos teus passos,&lt;br /&gt;Fez-se noite no meu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me perguntes nada, hoje.&lt;br /&gt;Não consigo ver.&lt;br /&gt;E por mais que tentes,&lt;br /&gt;Não vou ouvir as tuas palavras falar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não perguntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve a Emiliana cantar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-115196437954617620?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/115196437954617620/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=115196437954617620&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115196437954617620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115196437954617620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/07/no-perguntes.html' title='Não perguntes.'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-115145585372817897</id><published>2006-06-27T17:49:00.000-07:00</published><updated>2006-06-29T04:30:09.303-07:00</updated><title type='text'>Parabéns a vocês!</title><content type='html'>Sem convites, dádivas ou diversão. Encarar a vida é o melhor presente. Sem ofertas, regalos ou consagrações. Olhar o céu é manjar dos deuses. Encher o peito de ar e aprisionar a vida. Sepultar as mágoas e desilusões, e apreciar o brilho de um futuro arrebatador. Preferir o só às multidões, o pormenor ao exagero. Preferir um beijo aos aplausos, um carinho às dedicatórias. Querer companhia em vez de entretenimento. Um ser a ajuntamentos. O pouco sentido ao muito pueril. Um modo de vida é saber viver. Dar valor ao indivíduo ignorando mundos. Exaltar a verdade quando o vento sopra mentiras. Nomear a subtileza como arte e regra de vida, e aprender a amar, estimando quem dá valor ao toque das nossas mãos. Não sei definir felicidade - se tem nome, onde mora e se se chama. Também não sei quem a cria, se há mestres alquimistas do bem-estar. Mas há pessoas que nos fazem sentir bem. Isso há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer anos nem sempre é bom. Mas pior é não os fazer. Aniversários trazem consigo balanços e introspecções de vida, e ninguém gosta disso. Por isso, é melhor ignorar a data. A não ser que alguém a mencione...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, o dia 28 é pequenino. O dia mais rápido do ano. Tem 24 horas encolhidas em água quente. Mas vocês conseguem torná-lo grande! Obrigado pelo vosso carinho, e pelas mensagens que me fazem chegar. Mesmo aquelas que chegaram no 26 devido a um erro do HI5. Recebi-as com o mesmo ímpeto de agrado e aceitação. Com vocês o dia torna-se mais bonito, a jornada faz mais sentido. Se se lembraram de mim, amo-vos. Mesmo aqueles a quem não respondi. Estou aqui para vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado chinesinha pelo que me fazes sentir. A doçura dos teus olhos opera milagres. Vejo-te e sinto-te ao ouvir a música tocar. LOL!&lt;br /&gt;Beijo para ti. Beijo para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns a vocês!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-115145585372817897?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/115145585372817897/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=115145585372817897&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115145585372817897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115145585372817897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/06/parabns-vocs.html' title='Parabéns a vocês!'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-115050964264440872</id><published>2006-06-16T18:47:00.000-07:00</published><updated>2006-06-19T06:09:53.966-07:00</updated><title type='text'>Conversas de cabeleireiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;( Dedicado a uma pessoa conheço que tem nome começado por M. )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Milucha, chegue-me aí a minha carteira que tenho o telemóvel a tocar! Eu seguro-lhe no secador!&lt;br /&gt;- Qual...a preta?&lt;br /&gt;- Sim! Rápido! Ah...deixe estar, desligaram.&lt;br /&gt;Era desconhecido...quem seria?&lt;br /&gt;- Talvez fosse engano, Estela.&lt;br /&gt;- Não, não era. Tenho andado a receber umas chamadas estranhas, alguém quer falar comigo. Talvez a pessoa não tenha coragem.&lt;br /&gt;- Não pense nisso, Estela! São coisas que acontecem.&lt;br /&gt;- Não! É alguém que precisa da minha ajuda! Sempre tive na vida pessoas a precisar de mim. Até no liceu, sabe, aqueles que não se inseriam no grupo, amigos que a malta punha de parte, vinham sempre ter comigo. Devo inspirar confiança, ou ter uma personalidade apelativa, não sei...&lt;br /&gt;- Talvez. Então aproveite esse dom!&lt;br /&gt;- Aproveito sim! Até o meu “ex” dizia que sentia uma determinada aura à minha volta, que notava algo diferente em mim. Por isso sei que sou uma pessoa especial!&lt;br /&gt;- Ai sim? Que bom! Por falar nisso, como vai o Francisco?&lt;br /&gt;- Francisco? Não, Diogo. O Francisco já era.&lt;br /&gt;- Diogo? E o Francisco, não se entenderam?&lt;br /&gt;- Não. Eu era boa demais para ele. Foram 6 meses a aturar uma personalidade inconstante. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Estela, olhe que você também tem o seu feitiozinho...&lt;br /&gt;- Pois tenho. Bom demais para alguns homens. A maior parte não me merece.&lt;br /&gt;- Bom, se pensa assim...&lt;br /&gt;E como vai o seu menino? Não foi do Francisco que você teve um filho?&lt;br /&gt;- Sim, foi. Mas desde que mudei de casa ele raramente vem vê-lo.&lt;br /&gt;- Ah, você já não está com os seus pais?&lt;br /&gt;- Não! O meu pai ofereceu-me um andar! Quer dizer...não ofereceu, alugou um T2, e dá-me uma ajuda na renda.&lt;br /&gt;- Ah sim? Mas isso é óptimo!&lt;br /&gt;- É verdade. O meu pai adora-me. Fui a primeira dos três irmãos a sair de casa. Ele ainda não tinha feito isto a nenhum. Fui agraciada!&lt;br /&gt;- Mas você da ultima vez tinha dito que a situação em casa dos seus pais estava complicada... que depois do seu aborto eles nunca mais a trataram da mesma maneira, muito pior quando esse filho nasceu. Não quiseram ver-se livre de si, não?&lt;br /&gt;- Nem pense nisso! Eles só querem o meu bem estar! Fizeram questão que eu saísse para ficar à vontade em relação às pessoas que meto em casa, horas de entrada e saída, para dar a educação ao meu filho que desejo – para educá-lo à minha maneira. Foi o que eles disseram!&lt;br /&gt;- Hummm...estou a ver. Uma vida complicada, a sua.&lt;br /&gt;- Não acho! Penso que tudo tem corrido bem. Olho para trás e reconheço que os astros têm estado a meu favor! Por falar nisso, passe-me aí a revista. Quero ver o horóscopo.&lt;br /&gt;- Horóscopo? Você acredita nisso, Estela?&lt;br /&gt;- Claro que sim! A Milucha não?&lt;br /&gt;- Nem por isso. Sabe, tenho uma cliente jornalista que me diz que as páginas do horóscopo são uma farsa. Os jornais têm uma pasta com imensos textos de previsão de horóscopo, e que vão pondo aleatoriamente nas suas páginas. Sabe, aquela linguagem é universal...”cuide da sua saúde, preze a família...etc.” Vale para todos!&lt;br /&gt;- Não! Comigo não! Comigo, os astros nunca se enganam. Já fiz muita coisa na vida baseada na orientação dada pelo meu ascendente! Posso dar-lhe um exemplo: uma vez li na Máxima &lt;em&gt;“Hoje encontrará o amor da sua vida. Não despreze um carinho ou um olhar de interesse.”&lt;/em&gt; E acredita que foi nessa mesma noite, num bar, que comecei a namorar?&lt;br /&gt;- Com o Francisco...&lt;br /&gt;- Sim, com o Francisco.&lt;br /&gt;- Certo...&lt;br /&gt;- Chegue-me lá a revista para ver o que me diz o signo hoje! &lt;em&gt;“Devido à sua natureza impulsiva hoje terá um dissabor profissional. Tente manter a calma em situações de stress. Alimente-se à base de fibra, isso ajudá-la-á a manter o equilíbrio. Seja amiga apenas de quem é seu amigo.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Viu? Hoje mesmo tive uma chatice com o chefe da minha loja! Isto por ter passado um cliente a um colega que merece. Estas previsões nunca falham!&lt;br /&gt;- Estela, essa revista é de Abril...&lt;br /&gt;- Não interessa! O zodíaco é sempre certeiro! O meu caranguejo com ascendência de tigre é o meu melhor amigo. Ou talvez funcione por eu ser uma pessoa privilegiada, sei lá...&lt;br /&gt;- Mas conte-me lá, Estela, quem é esse Diogo?&lt;br /&gt;- Ah, uma pessoa maravilhosa! Trata-me como ninguém. Diz-me e faz-me coisas que nunca nenhum homem me fez. Outro dia passou a noite em claro para me levar os meus queques preferidos ao pequeno almoço. Tocam-me à porta às 7:45, era ele! Imagine, queques de laranja logo de manhã! Um amor! O Francisco nunca me fez isso...&lt;br /&gt;- Há quanto tempo namora com ele?&lt;br /&gt;- Há uma semana e meia. Mas tenho a certeza que é o homem da minha vida... Ama-me como ninguém! Também, ele sabe que vale a pena lutar por uma pessoa como eu...&lt;br /&gt;- E em relação ao Francisco? Nunca mais o viu?&lt;br /&gt;- Sim, encontramo-nos frequentemente. Ele não quer saber do filho, mas não consegue passar muito tempo sem me ver. Sei que ainda me ama...&lt;br /&gt;- Mas, então porque acabou com ele?&lt;br /&gt;- Ah, a situação tornou-se insustentável. O meu coração não batia, não sentia desejo nos olhos dele. Foi melhor terminar.&lt;br /&gt;- Você tinha-me falado que desconfiava de outra pessoa pelo meio...&lt;br /&gt;- Sim, mas isso não deu em nada. Ele gosta é de mim, não consegue esquecer-me. Aliás, pouco tempo antes de acabarmos, vi na porta do carro dele uma saca de uma ourivesaria com uma caixinha lá dentro. Numa bomba, abri-a enquanto ele abastecia, e dei com um anel de comprometido a dizer “Amo-te M”. Era lindo!&lt;br /&gt;- “Amo-te M”...? Esse anel era para si?&lt;br /&gt;- Claro que sim! Para quem podia ser? Aliás, o dia dos namorados estava perto.&lt;br /&gt;- Como se chama a pessoa de quem você desconfiava?&lt;br /&gt;- Filomena.&lt;br /&gt;- Então, não seria “M” de Mena?&lt;br /&gt;- Não, era “M” de Mendes. Eu chamo-me Estela Patrícia Sousa Mendes. Foi um acto bonito da parte dele. Não sei como não chegamos a entender-nos.&lt;br /&gt;- Certo...&lt;br /&gt;- Sabe, Milucha, sinto que algo de bom está para acontecer. Hoje, ia a comer a sobremesa, levantei a tampa do meu iogurte Danone com pedaços de macadamia, e tinha uma mensagem lá dentro. &lt;em&gt;“ O brilho natural que a sua alma irradia iluminará o seu caminho.”&lt;/em&gt; Não é bonito, isto? Fico contente pelo universo cuidar de mim e me brindar com estes sinais constantes! Tudo à minha volta me diz que vou ser feliz! Não sente o mesmo, Milucha?&lt;br /&gt;- Sim...sem dúvida, Estela.&lt;br /&gt;- Deixe cá ver o telemóvel. Vou ligar à pessoa que me tentou ligar há bocado. Quero agraciá-la com a dádiva da minha voz. Sei que vai ficar radiante por me ouvir!&lt;br /&gt;- Olhe que é 91, Estela...&lt;br /&gt;- Não faz mal!&lt;br /&gt;..........&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;“Sim, está lá? Boa tarde, daqui fala a Estela, há pouco tentou ligar-me, deve precisar falar comigo...&lt;br /&gt;Sim, Es-te-la...Não, não sou telefonista, sou lojista. Não, não conheço nenhum Sr. Abílio...nem trabalho na firma “Fechaduras Castidade...Ok, certo...tenha uma boa tarde."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Raios, era engano! E vai uma pessoa gastar dinheiro com estas merdas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-115050964264440872?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/115050964264440872/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=115050964264440872&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115050964264440872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/115050964264440872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/06/conversas-de-cabeleireiro.html' title='Conversas de cabeleireiro'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-114982445155906470</id><published>2006-06-08T20:33:00.000-07:00</published><updated>2006-06-15T18:48:23.986-07:00</updated><title type='text'>1+1=3</title><content type='html'>Nando e Maria são amigos de infância. Conhecem-se a fundo, nos gostos, tiques e reveses da personalidade. São daquelas pessoas que comunicam sem usar palavras, para gáudio de mestres da telepatia e terror das operadoras móveis. Ambos pensam que foi essa cumplicidade que fez com que se juntassem.&lt;br /&gt;Pela altura do Natal, passaram uma tarde de chuva em frente à praia, daquelas em que o vidro do carro se embacia e os corações se abrem. Deram as mãos, olharam-se nos olhos, e não demorou muito até que as suas bocas se tocassem num beijo intenso e prolongado que destilou a maresia e alterou o ciclo das marés. A armadilha da pele é assim, e eles não deviam ter deixado que o aroma dos seus poros se misturasse...&lt;br /&gt;Ele não acredita no amor à primeira vista, mas na primeira vista do amor. Sentiu-se como peixe na água, uma vez que a convivência de ambos é velha. Já a tinha desejado anteriormente, e ela sentiu-o. Ela, também. Há muitos anos atrás. Perguntou-lhe se todos os seus beijos eram assim tão bons, já que este lhe tinha atingido a alma e elevado o espírito. Ele, disse-lhe que a tinha beijado com o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela quis saber se o facto de ter um filho de outro homem não seria factor impeditivo de um grande amor. Ele respondeu que sim, mas que era fácil dar a volta à situação – teriam um filho um do outro, e estaria o problema resolvido. Encarar uma mulher com um filho alheio é complicado para um homem. É como comprar um veículo em renting – tem-se a chave na mão, utiliza-se o carro todos os dias, mas sabe-se que não é inteiramente nosso. Segundo outra perspectiva.. é como comprar um carro usado – a gente senta-se ao volante e vê marcas do antigo dono por todo o lado. Pronto. Por isso, foram para casa dela treinar, a testar até que ponto a fusão das suas fronteiras os poderia levar a uma propriedade comum. E correu tudo muito bem. Foram para casa felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados uns dias, sem que o universo suspeitasse, ela disse-lhe que não. Valeu-se da falta de paixão, dizendo que a alma tinha gostado mas o corpo não tinha vibrado. Ele, sabia que havia outra pessoa pelo meio. Só se rejeitam relações quando há outro elemento em vista, é a lei praticada nos dias de hoje. E ela confirmou-a. Acabaram por se separar, sem haver pachorra da parte dele para passos periclitantes, e ela sem coragem para trocar o que tinha por coisa melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltaram a encontrar-se meses depois, após muitas noites de ideias reelaboradas e dias de sol introspectivos. Ela, perguntou-lhe se ele ainda estava livre. Ele disse que sim - que se está sempre livre para quem se quer, mesmo que para isso seja preciso deixar quem se não quer. Ele, perguntou-lhe se ela ainda estava absorvida emocionalmente. Ela disse que não. Pelo outro. Por ele, sim. Que ele lhe ocupava definitivamente a cabeça.&lt;br /&gt;Ponderaram na hipótese de viver um grande amor em vez de uma aproximação apaixonada. Não queriam romances de fachada ou uma relação fortuita, de interesse. Não tinham nada a mostrar, a não ser a eles próprios. Pensaram que poderiam valer-se da sua irmandade para construir com solidez sobre uma base perene. E acertaram. Então, partiram para uma viagem comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor nasce do companheirismo e da partilha de momentos em conjunto. Por isso os patrões gostam das secretárias, mesmo quando têm mulheres melhores em casa. Passam muito tempo com elas, é o problema. Ou a virtude...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não é tudo o que ele deseja fisicamente. Ele, também não. Mas a partir de uma certa idade não são as curvas do corpo que contam mas as linhas rectas do espírito. E eles sabem que têm muitas que se cruzam entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltaram a beijar-se. Ele, beijou-a da mesma maneira intensa. Demorou-se mais nos cantos da boca e nas arestas dos lábios, esses interruptores dos sentidos que provocam vibrações no peito e arrepios nos pés. Ela, voltou a gostar. Beijaram-se na boca, na cara e nas mãos. Estava provado o amor. Quem se beija aí, quer-se profundamente. Sentiram lufadas de ar de vida. Voltaram a treinar para o filho comum, voltou a correr bem. Perguntaram-se se não teria sido uma perda de tempo os meses que passaram longe um do outro, se é que se pode falar em desperdícios nestas coisas do amor – parafraseando o provérbio “a distância está para o amor como o vento para o fogo - quando o amor é grande, a distância atiça-o; quando é pequeno, apaga-o”. E eles, souberam que estavam a reabrir uma nova época de incêndios...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz Susana Tamaro no seu livro Vai onde te leva o coração, “não importa o tempo que se gasta a fazer pontaria...o importante é que quando se larga a seta, tenhamos a certeza que ela vai acertar no centro do alvo”. E Nando e Maria sentiram isso na pele quando desataram as suas mãos húmidas e molharam os lábios numa absorção final do cheiro e gosto um do outro. Enquanto limpavam o suor dos seus poros misturados, recompunham-se da leveza do peito provocada por palavras ditas ao ouvido anunciando sonhos comuns a cumprir por quem sente o ego maior de ter encontrado a sua alma gémea. E ambos gostaram de ouvir essas palavras. Não têm a mínima dúvida que sim. Nessa tarde, tinham sido... um mais um igual a três.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-114982445155906470?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/114982445155906470/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=114982445155906470&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114982445155906470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114982445155906470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/06/113.html' title='1+1=3'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-114920947520717692</id><published>2006-06-01T17:07:00.000-07:00</published><updated>2006-06-03T18:27:08.543-07:00</updated><title type='text'>Agora escolhe.</title><content type='html'>Dois irmãos tibetanos decidiram dedicar a sua vida inteiramente à religião budista. Para isso, dirigiram-se a um convento com o intuito de serem aceites naquela ordem. Foram recebidos por um velho monge que lhes enalteceu as intenções, e lhes disse que para serem aceites naquele convento teriam que passar uma prova de admissão que serviria para provar as suas qualidades e realçar o desejo de se tornarem monges. Esta prova consistia em três testes: um teste de força, um teste de rapidez, e um teste de inteligência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho perguntou aos dois irmãos qual deles seria o primeiro...o mais velho respondeu: “Posso ser eu...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este irmão teve que enfrentar então o primeiro teste, o teste da força. Foi-lhe pedido que deslocasse uma pedra de grandes dimensões através de uma linha, numa distância pequena. O rapaz empregou toda a sua força...empurrou, usou de todas as suas energias, até que com grande custo conseguiu levar a pedra até ao ponto desejado.&lt;br /&gt;Passou então para a prova seguinte –a prova da rapidez. Esta prova consistia em tirar uma pedra da mão do velho antes que ele a fechasse. O rapaz concentrou-se, tentou diversas vezes, até que conseguiu ser mais rápido do que o monge e tirar-lhe a pedra da mão. De seguida, enfrentou a última prova, a prova da inteligência... Neste teste, o jovem tinha que atravessar um abismo usando duas cordas penduradas no tecto. Do outro lado, estava um homem que lhe atirou as cordas, uma de cada vez, para que ele pudesse agarrar uma delas e atravessar o vão. O jovem pensou “...se esta é a prova de inteligência, não me posso precipitar...terei de descobrir qual a corda certa para agarrar. Decerto uma delas não estará bem firme, e deverei evitá-la. Tenho que usar da inteligência para distinguir qual das cordas está fixa...”&lt;br /&gt;Mas a verdade é que enquanto o jovem olhava para as cordas, alternadamente, andando para a frente e para trás, elas foram perdendo o balanço, até que ele não lhes pode chegar mais. No entanto, pensou para si mesmo: “ Penso que fiz bem. Mostrei inteligência, não me precipitei...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a vez do seu irmão mais novo realizar a prova...&lt;br /&gt;No primeiro teste, o segundo irmão usou de toda a sua força até conseguir mover a pedra até ao local indicado. Conseguiu. No teste da rapidez, usou toda a sua concentração para ser mais rápido que o monge. Tirou-lhe a pedra da mão. Então veio a terceira e última prova – a prova da inteligência...&lt;br /&gt;O rapaz aproximou-se do abismo. A pessoa do outro lado atirou-lhe as cordas, uma de cada vez, novamente a baloiçar, e assim que a primeira corda chegou à sua beira, o jovem agarrou-a de imediato, passando para o outro lado sem hesitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a altura de o velho monge dizer se estes dois irmãos seriam admitidos no convento ou não....&lt;br /&gt;Para espanto dos jovens, o segundo irmão entraria no convento, e o primeiro não. Este de imediato discordou, e pediu uma explicação para tal decisão: “ Mas, como é possível ? – disse ele indignado - O meu irmão não mostrou a mínima inteligência na última prova...ele nem se deu ao trabalho de olhar para cima, e ver qual das cordas estaria firme ou estaria solta...agarrou a primeira que lhe veio à mão, correndo o risco de cair! Eu, pelo contrário, fui astuto. Ponderei, observei, e tentei descobrir qual das cordas seria a mais segura para atravessar o abismo. Eu sim, fui inteligente!!!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meu jovem” – disse o velho – “ tu não passaste para o outro lado, é verdade...Mas não é essa a verdadeira razão que te impede de entrar no convento.... A prova de inteligência consistia não em ver qual das cordas era mais segura, mas em relembrares que cordas a balançar são como as oportunidades...Quando estão ao teu alcance, têm de ser agarradas de imediato. Se não o fizeres, fogem da tua mão, e nunca mais as recuperas na vida...! “ Sê inteligente, e para a próxima, não deixes escapar a corda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( E tu, já agarraste a tua oportunidade de hoje? )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-114920947520717692?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/114920947520717692/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=114920947520717692&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114920947520717692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114920947520717692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/06/agora-escolhe.html' title='Agora escolhe.'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-114782652343854032</id><published>2006-05-16T16:58:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T18:03:37.997-07:00</updated><title type='text'>Aquela pessoa.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Outro dia estava a cozinhar, a ver o vapor dos tachos subir, quando me passaram algumas coisas pela cabaça. ( Cabeça, desculpem. ) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Certa vez ouvi dizer que mesmo na atribuição dos castigos a Adão e Eva depois do pecado original, Deus foi amigo deles. Ao homem, físicamente forte e robusto, foi dito que "comeria o pão da terra com o suor do seu rosto". À mulher, mais resistente à dor e sofrimento, foi dito que "com dor conceberia os seus filhos." Ou seja, atribuições justas mediante as capacidades de cada um. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Acredito e confirmo isto cada vez que me aproximo de um fogão. Quanto mais olho para eles, mais os considero máquinas adaptadas às mulheres. Não estou a querer ter uma atitude machista, puxa...vocês não me conhecem. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Há tarefas domésticas que acho simpáticas e até faço com alguma vontade, mas cozinhar, a sério... é coisa que não me cheira. Não consigo. Não gosto de tachos nem ao longe nem à distância. A proximidade de panelas fumegantes e cafeteiras esfuziantes parece-me, cada vez mais, tarefa reservada apenas a um ser capaz de parir por um sítio por onde normalmente saem esguichos de bisnaga. Elas têm coragem...eu, tenho medo. Não que haja pouco gosto ou vontade em lidar com alimentos ou vegetais...não, não é isso. Sigo e admiro grandes mestres da culinária do sexo masculino, e gabo-lhes fervorosamente os dotes. O problema está na tortura e aflição que o acto de ligar um disco representa. Para mim, a proximidade de um garfo entre os meus dedos e 2 dl de óleo a ferver é uma verdadeira aventura. Um exercício de dor. Pôr massa, arroz ou puré &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;dentro de àgua em ebulição, semelhante a malabarismo com fogo. Arrepia-me, pronto. Escorrer um panado, gratinar filetes ou virar um rissol, é caminhar sobre brasas quentes - a gente sabe que se vai queimar não tarda nada, é tudo uma questão de psicologia. O perigo aumenta quando o material a lidar vem congelado. Atirar um pastel de bacalhau coberto de cristais de gelo para dentro duma frigideira é calcar a cauda ao dragão do Shreck. Aquilo espicha tudo! Pior que atravessar entre dois prédios por uma corda esticada: a queda é certa, e não há espectadores atentos de cabeça esticada a testemunhar queimaduras de segundo grau. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas não era isto que queria dizer...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sempre tive medo do fogo, pois. Quando era pequeno ia ao circo pelos animais. Agradava-me a obediência das focas e a submissão aparente dos leões. Fugia, no entanto, de cabelo arrepiado e poros arreganhados quando aparecia um homem a largar labaredas no ar com a força do seu bafo inflamável. De início, fazia-me confusão haver um dragão em todos os circos, estivesse ele no Porto, Aveiro, Coimbra ou até Lisboa. Mas não gostava deste homem. Batia palmas com as focas, ria-me com os palhaços, ia para casa satisfeito com a mente cheia de cores, risos e balões, mas com o lança chamas a povoar-me a mente num turbilhão de labaredas letais. À noite, pensava a sua vida ingrata, imaginando a sua relação tortuosa com a menina contursionista ( essa que, por acaso, gostava..), com ele, em brados incandescentes, a repetir vezes sem conta que a amava, e ela a desdobrar-se em manobras impossíveis a tentar fugir do seu hálito acetonado. A verdade é que o espectro desse personagem não me largava tão cedo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas não era isto que queria dizer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Enquanto via o vapor subir, reparei a rapidez com que ele se tranformava em água quando tocava o metal do exaustor por cima da minha cabeça. Também notei o instante em que pingas de água se transformavam em fumo ao cair dos testos cambaleantes. O frio da placa do exaustor e o quente do disco em brasa provocavam uma reacção automática na água que me fez pensar no dom de transformação de vidas que algumas pessoas têm. Já passaram algumas dessas na minha vida...não muitas, porque são espécimens raros. Pessoas que ao mínimo contacto nos transformam, alteram o nosso estado natural, como as gotas de água depois de tocar o disco quente ou o metal frio do exaustor. São pessoas dotadas, essas, e guardo-as de tal forma no coração que não haverá tempo ou viagem que as apague da minha memória. Simplesmente porque mudaram a minha vida. Pessoas que me fizeram ponderar numa resposta antes de a lançar boca fora, me impediram de dar um passo antes de me estatelar, alteraram o curso do meu dia antes de ele acabar, ou simplesmente me fizeram olhar para uma coisa sob outra perspectiva. Admiro Sócrates, Jesus Cristo, Ghandi, por isso mesmo. Ou mesmo algum amigo recente que me fez ser outra pessoa. Gente que por vezes leva marcas, mas que também sabe marcar. Como os tentáculos de uma medusa, que nos passam no corpo e não o deixam igual.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O meu sonho era vir a ser uma pessoa assim. Ouvir alguém dizer: "Tu tocaste-me, por tua causa a minha vida agora é diferente!" Adorava poder alcançar o fundo do ser de alguém, ver um conselho meu transformado em decisão, apreciar um aluno a subir à carteira a gritar "Oh captain my captain!", numa atitude de subserviência extasiada. Apesar das semelhanças, isto não seria um filme...porque tocar vidas no fundo não é ficção, é o resultado de uma acção e trabalho bem concretos, fruto de uma capacidade que nem todos têm, de uma arte e magia reservadas apenas a uma ou outra pessoa, talvez...aquela pessoa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sim, e era isto que queria dizer...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-114782652343854032?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/114782652343854032/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=114782652343854032&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114782652343854032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114782652343854032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/05/aquela-pessoa.html' title='Aquela pessoa.'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-114739411494843399</id><published>2006-05-11T17:27:00.000-07:00</published><updated>2006-05-11T17:35:14.956-07:00</updated><title type='text'>Serena consciência de existir.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;A serena consciência de existir...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; ( 28/06/98 )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, vendi-me ao vazio...&lt;br /&gt;Espraiei-me na amplitude do quarto onde acordei,&lt;br /&gt;Bebi um raio de luz, e voltei a dormir,&lt;br /&gt;Rendido ao impulso do sono que sinto,&lt;br /&gt;Quotidianamente, o mesmo.&lt;br /&gt;Ontem, um responsável por mim partiu ( para sempre? )&lt;br /&gt;Subtraiu-se a um mundo de seres de perder a conta,&lt;br /&gt;Incondicionalmente,&lt;br /&gt;E pegou-me o sentido de vida ( ou de morte...)&lt;br /&gt;Actual...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.............&lt;br /&gt;.............&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouso um suspiro – movimento imenso,&lt;br /&gt;Desafio enorme a esta lei de inércia que monótonamente confirmo,&lt;br /&gt;Sou eu mesmo,&lt;br /&gt;Renovando o ar que insistentemente inspiro,&lt;br /&gt;Expiro, inspiro,&lt;br /&gt;Outra vez, e outra vez igual...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.................&lt;br /&gt;.................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deslizo um pedaço, movimento de ilusão,&lt;br /&gt;Pois energia e um corpo andante são&lt;br /&gt;Tropelias de forças vivas e sonhos novos&lt;br /&gt;De outros projectos que não os meus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o dia corre...&lt;br /&gt;E a manhã brilha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pela janela entra uma fatia de luz oblíqua,&lt;br /&gt;Que me convida à vida, e eu ignoro&lt;br /&gt;Indiferente ao sol e à sua influência alternativa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que farei hoje? Serei alguém?&lt;br /&gt;Não sei o que tenho...&lt;br /&gt;Sinto-me eu, menos eu do que nunca...&lt;br /&gt;( resta-me o som das plantas, que comigo crescem,&lt;br /&gt;solidariamente alheias aos meus pormenores íntimos,&lt;br /&gt;cúmplices das sombras que no tecto projecto e enormes,&lt;br /&gt;recuso serem minhas...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que tenho...&lt;br /&gt;( este sentido explico-o porque hoje é Domingo,&lt;br /&gt;dia que se repete todos os dias no nome de&lt;br /&gt;outro dia qualquer...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje faço 24 anos. Sem o pedir. Indefeso.&lt;br /&gt;Rendido às marés que aceleram...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detesto o tempo...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-114739411494843399?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/114739411494843399/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=114739411494843399&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114739411494843399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114739411494843399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/05/serena-conscincia-de-existir.html' title='Serena consciência de existir.'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27834743.post-114721573864635741</id><published>2006-05-09T15:40:00.000-07:00</published><updated>2006-05-25T19:05:32.536-07:00</updated><title type='text'>A primeira vez.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;“Quando foi a ultima vez que fizeste algo pela primeira vez?”&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Detesto esta frase. Ouço-a vezes sem conta, repetida em emails, locuções de rádio e rodapés de revistas, como a voz de um amigo afastado que de repente se lembrou de nós e decidiu&lt;/span&gt; expressar cuidados. Ainda que discreta, quer meter-se na nossa vida. É uma frase que entrou na sociedade. Pretende medir-nos o ímpeto e os níveis de radicalidade. Isso mesmo. É uma frase que vai bem com a palavra "radical". Disfarçadamente, manda-nos levantar o cú da cadeira e aventurar-nos em cordas e desfiladeiros de emoção. Há mesmo quem se atreva a dizer que se não experimentamos coisas novas todos os dias, é porque estamos a ficar velhos. Como se dormir numa tarde de Domigo em vez de irmos encharcar-nos num bote de rafting nos confins das águas de um rio nos pusesse uma década nos ombros... Eu não concordo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por acaso eu gosto de aventura. Sei o que é cannyoning e rappel australiano. Já fiz paintball e levei com uma "ball" num olho. Já entrei em grutas e mergulhei nas rochas. Já estudei epistemologia e entreguei o IRS numa repartição das finanças.  Mas confesso que esta frase me tem incomodado...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Então decidi aumentar os níveis de adrenalina. Senti que era preciso agir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Podia ter desafiado a gravidade, saltar em bungee-jumping ou atirar-me de um avião. Podia ter experimentado kite-surf, long-surf, ou tele-surf. Podia ter-me inscrito em parapente, asa delta ou outras manobras aéreas que tantas escolas e sites prometem. Mas não. Decidi abrir um blog... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Abrir um blog&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;não é lá grande coisa. Ou melhor, não é grande acontecimento. Hoje em dia, toda a gente abre um blog. Não é preciso pagar, os pais não assinam, nem é preciso abanar nem seguir o livro de instruções. Muito mais fácil que pedir aos pais para sair quando temos dezoito anos. A gente inscreve-se, e depois tem-se. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O que me chateia nos blogs é a ausência de abstracção. A malta escreve, mas pede sempre algo em troca. E não estou a falar de apoio no estilo ou cuidados literários. Não. Estou a falar do desejo de feed-back, da sede de respostas e comentários aprovadores que os bloggers esperam e pelos quais quase sempre desesperam. Se bem que o despejo das profundezas da alma seja algo de comum nos blogs( em que se ignoram regras ou fronteiras dos limites de bom senso ) , as linhas aprovadoras de amigos extasiados é coisa que ninguém dispensa. Confunde-se o gosto da criação pessoal com o entusiasmo da admiração colectiva. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pois eu tentarei escrever pelo gosto da escrita. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Gostava de poder ignorar a necessidade de afirmação ( que também tenho, pois claro...). Não queria depender de ânsias de feed-back, ter sede de comentários ou outros reconhecimentos que alimentam o ego. Farei deste blog o meu diário digital, em que entro devagarinho evitando calcar a esponja da atenção alheia. Porque um blog é um acto de satisfação e não um exercício de compensação. No fundo, gostava que este fosse...apenas o meu cantinho.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Até..porque não mereço muito mais do que isso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Será possível? A ver vamos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27834743-114721573864635741?l=serendipityman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://serendipityman.blogspot.com/feeds/114721573864635741/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27834743&amp;postID=114721573864635741&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114721573864635741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27834743/posts/default/114721573864635741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serendipityman.blogspot.com/2006/05/primeira-vez.html' title='A primeira vez.'/><author><name>SerendipityMan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03239675655027487376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://serendipityman.no.sapo.pt/Imagem361HI5.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
